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setembro 09, 2014

O "Pai" do Algarve - Harry Chandler (I de II)


 "No capítulo de pioneiros de turismo, e em relação ao Algarve, esse mérito deve-se a Harry Chandler (1913-1991). Harry, com quem o autor teve o prazer de confraternizar, ao ser igualmente pioneiro do turismo inglês em relação a Thomas Cook, foi o primeiro a revelar o Algarve. O homem que, quando rapaz, foi mordido pelo bicho das viagens e que, por isso, decidiu ir de bicicleta, de Londres a Berlim, na Primavera de 1934, passando pela cidade austríaca de Seefeld, no Tirol, onde, um ano depois, deu início à sua actividade profissional, numa escala familiar em que se veio a especializar. Interrompendo o seu entusiasmo depois da eclosão da guerra, o que não esperava, foi ver-se requisitado pelo exército britânico para fazer o que mais gostava - organizar as expedições militares, nomeadamente para o Extremo Oriente.   Considerando o autor como amigo, foi com satisfação que, como o único jornalista não britânico, fez parte dos passageiros do avião especialmente por ele fretado, cheio de amigos e colegas da especialidade do anfitreão, incluindo a fina flor dos jornalistas ingleses de turismo, rumo a Seefeld, no Tirol austríaco, em 19 de Outubro de 1985, a comemorar os seus 50 anos de actividade. Uma peregrinação memorável e conviver com muitas e destacadas pessoas que com ele lidaram desde 1935 pelo facto de não só pôr Seefeld no mapa turístico, como, e muito particularmente, devido à riqueza posteriormenmte gerada pelo turismo.   Fazendo questão de não ter sido ele, mas a mulher Rene, que, em termos turísticos, descobriu o Algarve, foi devido ao amigo, Vic Cowing, que cansado do intenso labor na peixaria que tinha em Essex, lhe disse, no jantar de despedida, na véspera do Natal de 1960, que ia emigrar. "Quando ouvi isto pensei que ele ia mencionar a Austrália ou o Canadá, os destinos mais preferidos na altura. Mas quando ele disse o Algarve, nome que nunca tinha ouvido falar, fê-lo com um entusiasmo invulgar", como recordou Harry Chandler ao autor. "É um lugar fantástico, Harry." Estava lançado o bicho. Foi numa das visitas da mulher, Rene, aos amigos que se radicaram no Algarve, que ela não só comprou uma vivenda com terreno, mas influenciou o marido a fazer do Algarve o lugar ao sol dos turistas ingleses, o que teve início em 1965, depois da construção do aeroporto de Faro, com a chegada dos primeiros 50 turistas num avião BAC 1-11.  "

in: http://jn.sapo.pt/blogs/gilfer/archive/2008/10/30/o-quot-pai-quot-do-algarve-harry-chandler-i-de-ii.aspx

julho 23, 2013

Para uma história do turismo do Algarve

5.ª parte

De paraíso perdido de difícil acesso o Algarve torna-se num centro cosmopolita, destino turístico de figuras públicas de renome internacional, o aeroporto, segundo Manuel da Fonseca, torna a região “um arredor da capital do País. Os estrangeiros, então, mal chegam a Lisboa, daí a nada, estão a tomar banho nas praias algarvias”.

P.S.B.
Ref. Bibliográficas:

FLORES, Adão – “O turismo no Algarve na primeira metade do século”, in:  O Algarve da antiguidade aos nossos dias, coord. Maria da Graça Maia Marques. - Colibri, Lisboa, 1999;
FONSECA, Manuel da - Crónicas Algarvias, Caminho, 2.ª Edição, 1987.
GUERREIRO, Aníbal C. - História da Camionagem Algarvia (de passageiros): 1925-1975 (da origem à nacionalização), s.l., s.n., 1983;

RUELA, Rosa - “Era uma vez o Algarve...: histórias das férias antes da invasão urbanística... “ in: Visão, nº751, 2007;

julho 19, 2013

Para uma história do turismo do Algarve

4.ª parte

Também a ausência de unidades hoteleiras dignas de tal designação constituíam um entrave ao turismo na região. As primeiras unidades hoteleiras, como o Hotel Guadiana, em Vila Real de Santo António, ou o Grande Hotel na capital da província são edificadas nas primeiras décadas de 900. O grande surto edificatório, e que alterará completamente a fisionomia do litoral algarvio, coincide com o boom turístico dos anos 60, reflexo da inauguração do aeroporto de Faro em 1965, que irá colocar o Algarve definitivamente nos circuitos turísticos internacionais.

P.S.B.

julho 17, 2013

Para uma história do turismo do Algarve

3.ª parte

O Algarve de início do século XX é uma região pouco turística, sobretudo, devido às escassas e difíceis acessibilidades, que tornavam a viagem bastante penosa, apenas uma estrada que atravessando a serra do Caldeirão, ligava ao Alentejo e resto do país, o mar mantinha-se como principal via de acesso.


Falava-se então numa tríade turística: Portimão – Monchique e Sagres. Monchique atraía muitos viajantes, quer pela sua exuberante vegetação, quer pelos seus banhos termais. Sagres pela sua carga mística e simbólica ligadas à figura do Infante e da Expansão. E Portimão, em particular, a Praia da Rocha, devido ao seu clima ameno ao longo de todo o ano, rivalizando com as famosas estâncias internacionais como Biarritz. 

P.S.B.

julho 13, 2013

Para uma história do turismo do Algarve

2.ª Parte

No caso particular do Algarve, existem diversos relatos de viajantes que aqui se deslocaram, essencialmente, por motivos profissionais, como o alto funcionário francês do Ministério da Guerra, Leopold Alfred Gabriel Germond de Lavigne ou Hermann Friedrich Joachim Freiherrn Von Maltaz, que empreendeu uma viagem científica à região, na qualidade de Presidente da Sociedade dos Amigos da História Natural de Mecklenburg.

O turista, tal como hoje é entendido, começa a ganhar expressão a partir dos anos 30 do século XX, com a introdução de férias pagas, em França. O que em Portugal só viria a acontecer décadas mais tarde.

De forma gradual a “ida a banhos” desliga-se da sua função meramente medicinal e começa a fazer parte do calendário social da elite endinheirada. Os banhos de mar, para além de recomendáveis para a saúde, tornam-se, igualmente, momentos de fruição e lazer, complementados por uma intensa actividade social e cultural.


P.S.B.