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dezembro 18, 2014

Neve no Algarve - Portimão

“Na tarde de hoje [2 de Fevereiro de 1954] das 16 às 19 horas, caiu com maior intensidade, pelo que a cidade [Portimão] ficou toda coberta de branco. Nas ruas a neve atingiu entre 10 e 20 centímetros de altura. Não há memória entre a gente idosa da terra de nada semelhante ao que agora se presenciou e o assunto é comentado como estranho fenómeno nestas paragens.” 

in: Diário de Notícias de 2 de Fevereiro de 1954

Neve junto à Casa Inglesa, Portimão


















maio 18, 2012

Atravesso Portimão

"Atravesso Portimão de olhos postos no castelo de Arade, onde o velho poeta sonha com O Fausto, e talvez como ele em recomeçar a vida. A luz é cada vez mais viva. Um homem com dois cabazes apregoa na rua: é um tipo seco e tisnado de mouro, de camisola azul e perna nua. Passa uma carrinha guizalhando, e logo atrás outro burro com bilhas de água fresca. É extraordinário o que este pobre jerico inocente e peludo, de olhos límpidos, trabalha no Algarve. É ele que leva a fruta ao mercado e tira a água das noras. Lavra as terras calcinadas, transporta pelas estradas solheirentas, adornado com cordões vermelhos, quase uma família a dorso. Vai às Caídas buscar as grandes bilhas vermelhas que transpiram, mata a sede da gente e a sede da terra – e não sei se embala os berços... Produz muito e contenta-se com pouco."

in: Raul Brandão - Os Pescadores, p. 82

fevereiro 24, 2012

Portimão

"Portimão é uma vila com 6000 habitantes. Como é costume no sul, o seu exterior está caiado de um branco radiante. O estilo das casas, com pouquíssimas janelas viradas para o exterior, corresponde às necessidades mais necessárias, não existindo luxo. Quanto mais a sul, maior é a indiferença em relação à limpeza. Tudo, as casas, os utensílios, a roupa, o modo de viver, indica que a satisfação das exigências mais modestas é suficiente, uma característica proveniente do clima, do comodismo, da indolência e da preguiça. (…)"

in: Otto Riess, séc. XIX

fevereiro 22, 2012

Ancorados em Portimão

"Pela manhã, somos acordados pelo matraquear das correntes da âncora a descer. Estamos ancorados em Portimão, na costa sul da pequena província portuguesa do Algarve. Temos céu azul do lado do mar em direcção a África, mas a montanha do Algarve, a Serra de Monchique, está coberta por nuvens escuras, as quais o sol nascente se esforça por romper e as ondas mais altas batem com estrondo, desfazendo-se em espuma, contra a íngreme costa de arenito de cem pés de altura que, pela esquerda, forma baía de Lagos, a capital do Algarve, cujas casas brancas, que sobem em forma de terraço a partir da praia, espreitam através dos bosques de figueiras. O rio Silves desemboca no mar, atravessando uma larga abertura das verticais paredes rochosas, as quais, pela direita dominam as paredes brancas da fortaleza de St.ª Catarina e pela esquerda, as de S. João. (…)"

in: Otto Riess, séc. XIX

fevereiro 21, 2012

"(...) Vila Nova está numa situação pitoresca, rodeada de velhas muralhas, como todas as cidades do litoral que eram chamadas a defender-se das incursões dos barbarescos ou da pirataria não menos bárbaros.

Está situada na margem direita do rio com o mesmo nome, que é ele próprio formado pelo rio de Boina e a ribeira de Odelouca, que vêm desaguar no rio de Silves. A norte, existem as salinas e, com a ajuda da maré, sobe-se de barco até Silves. O comércio consiste em vinhos, fruta de toda a espécie, legumes, peixes de mar e de rio, todavia, até agora, faltava na cidade água potável, a qual se tinha de ir comprar longe e pagar caro. Graças ao Sr. Sarrea-Prado, Portimão terá e, breve água abundância; executou um projecto, aceite pela municipalidade, que alterará o estado das coisas e que permitirá os navios que fazem escala no porto não terem que ir a Estombar ou à Estrada de Monchique para a encontrar.

Em frente e na margem esquerda, Ferragudo está ligado a Portimão por uma boa estrada que acompanha o rio. Abriga uma população de pescadores e tem uma importante fábrica de conservas de sardinhas.

A entrada do porto, na embocadura do rio, era defendida por dois fortes: S. João na margem esquerda, que pretenderia parecer-se com Miramar, sem os seus jardins, e Santa Catarina do lado da cidade. (...)"

in:Gabriel de Saint – Victor (1824-1893)






janeiro 23, 2012

                                   

“Janeiro. – Extraordinário, este céu ao por do Sol! Todo coberto duma colgadura de púrpura, que parece arrastar-se por cima da ponte, mas rasgada a espaços sobre um fundo longínquo de porcelana verde..."
in: Viajantes, Escritores e Poetas – “M. Teixeira-Gomes e o Algarve”, Ana Carvalho, (p.149 e segs.)