Mostrar mensagens com a etiqueta Loulé. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Loulé. Mostrar todas as mensagens

abril 06, 2016

mudavam-se de armas e bagagens para Quarteira



Inês Farrajota, empresária natural de Loulé recorda que no verão, à semelhança de grande parte das famílias louletanas, «mudavam-se de armas e bagagens para Quarteira.»

Lembra-se bem das mulheres que apareciam com grandes panelas para vender batata-doce, de manhã cedo na praia. Era um costume que, acredita Inês Farrajota, já vinha dos anos 20 e 30, quando os algarvios se levantavam muito cedo e iam dar um mergulho à praia logo de madrugada, para depois voltarem rapidamente para casa, ‘porque tinham medo que o sol fizesse mal’. A batata-doce, acompanhada de aguardente, era para ajudara a aquecer o corpo depois do mergulho matutino.

À noite em Quarteira animava-se uma pequena vida social, que incluía, até, uma esplanada com orquestra a tocar, onde se ficava a jogar às cartas, a organizar concurso, a eleger misses. ‘Havia bailaricos, e vinham pessoas das redondezas. Aparecia a Simone de Oliveira e muitos fadistas.’ A animação era regulada pela central eléctrica, que à uma da manhã emitia três sinais para avisar que a luz ia ser desligada e que era hora de recolher.

junho 24, 2015

Alvará Senhor do Sal

Trelado do Alvara do Senhor conde acerqua do Sal

"...que nenhuum pescador que pesacsse nos mares da dicta minha villa nom salgasem com outro sall os pescados que asy matasem e caregasem somente com ho sall da[s] mariinhas de Ludo que agora sam minhas."

in: Acta de Vereação da Câmara de Loulé de 24 de Dezembro de 1496

novembro 26, 2014

Azeite

"Geralmente associado ao cultivo da vinha está o cultivo da oliveira, espécie difundida pelos muçulmanos e que marca, indiscutivelmente, a paisagem meridional. O aumento do cultivo da oliveira, que traça um caminho inverso ao da Reconquista, sem, contudo, ultrapassar muito a linha do Mondego, está associado à produção de azeite.

O azeite é a gordura mais utilizada na Idade Média, quer por cristãos, quer por muçulmanos. É utilizada na cozinha e também na iluminação. Loulé, concelho situado a sul, antigo centro urbano muçulmano, como não poderia deixar de ser, possuía lagares de azeite…”


BATISTA, Patrícia, “A Alimentação no concelho de Loulé nos séculos XIV e XV”, in: Al’-Ulyã, n.º 11, Revista do Arquivo Histórico Municipal de Loulé, Loulé, 2006, pp. 69-82


junho 25, 2014

Passear no Património de... Loulé ou do MED!

Inserido na programação do MED, fica o destaque para o concerto que abre o segundo dia do festival, pelas 19.30, na Igreja Matriz de Loulé:
Quarteto "Concordis"

maio 01, 2014

Lenda da Mãe Soberana (Parte II)


(...)

"Há uma outra que refere mais o milagre da questão da capela, em que, na altura, era, pretendia, os moradores, os habitantes do local, portanto a capela da Mãe Soberana pertence ao concelho de Loulé, e então pretendiam erigir a capela ou a igrejita no sítio da gruta, onde ela esta efectivamente, no início, só que os operários, portanto trabalhando durante o dia para erigir a capela deixavam à noite as ferramentas no local, iam para casa e no outro dia quando regressavam ficavam espantados ao verificarem que as ferramentas desapareciam do local onde as tinham deixado e apareciam no cume do serro. Ora, isto vezes, ou vá, durante várias vezes acabou no fundo por ser, por por ter uma única explicação, é que a santa não queria a capela no sítio da gruta mas queria a capela no cimo do serro, onde fosse vista, e efectivamente a capela foi erigida no cimo do serro. As ferramentas dos trabalhadores nunca mais desapareceram, porque eles deixavam-nas lá à noite e elas no dia seguinte de manhã estavam lá. E foi concluída já na segunda metade do século dezasseis. Portanto, estas são as duas lendas que se contam sobre as obras milagrosas da Virgem da Piedade, Mãe Soberana, que ainda lá existe, e que é uma grande festa."

 

abril 30, 2014

Mãe Soberana - lenda (I)

"Lenda da Mãe Soberana

APL 2544

Vou contar a lenda da Mãe Soberana, aliás, ele há duas lendas sobre a mãe soberana, e qualquer uma delas são anteriores ao final do século dezasseis, se me recordo. E uma é portanto, havia uma donzela com cerca de quinze anos, que numa tarde ao ir colocar umas flores num altar que seus pais lhe tinham mandado edificar lá numa gruta, foi surpreendida por um fidalgo, que andava lá a ronda, que enamorado e endoidecido digamos, pela beleza daquela menina de quinze anos, pretendeu abusar dela, violentá-la. Contudo, esta miúda, resistindo, resistiu à força que o fidalgo tinha, pediu favorosamente ajuda à Virgem da Piedade. Ora, e aqui dá-se um milagre, porque a Virgem acudiu ao pedido da donzela, que saiu ilesa, e o fidalgo envergonhado, porque no fundo era uma pessoa conhecida no meio, meteu-se no convento e morreu frade, foi para frade e morreu lá no convento. Portanto, a fama que a santa, Virgem da Piedade, tinha já como milagreira, foi de tal ordem que tomou depois nome de Soberana, portanto, começaram a chamar-lhe Soberana, e passou então desde essa altura a ser idolatrada, portanto…e esta é efectivamente talvez a primeira que se conta da mãe Soberana."
cont. (...)

novembro 16, 2013

Monumento a Duarte Pacheco

Assinala-se hoje, 16 de Novembro de 2013, 70 anos sobre a morte de Duarte Pacheco e 60 da inauguração deste  monumento:
Obra do monumento em homenagem a Duarte Pacheco, Loulé

Foto:partilhada por Luís Guerreiro

maio 09, 2013

Dia da Espiga - Feriado Municipal de Loulé


O "Dia da Espiga", como é conhecido no Sul, corresponde à Quinta-feira de Ascensão. No concelho de Loulé é o dia do feriado municipal,testemunho de um calendário, marcadamente rural, com ligação à actividade agrícola.
Neste dia as pessoas saem para os campos, para apanharem a “espiga” (um raminho de trigo, ou outro cereal como centeio, cevada, aveia… ou flores como papoila, rosas, malmequeres, margaridas….). A apanha da "espiga" está ligada à vida agrícola e à economia alimentar, exercendo uma função de talismã sobre a fortuna e fartura.
A espiga pendura-se dentro de casa, na parede da cozinha ou sala e aí se conserva até ser substituída pela espiga do ano seguinte, expressa virtude benfazeja.

abril 30, 2013

Loulé, viragem séc. XIX para o séc. XX



No censo de 1890 a vila de Loulé contava com 18 872, e no de 1900, com 22 478 habitantes[1], mantendo-se a tendência do aumento populacional na viragem do século XIX, para o século XX.

O crescimento populacional verificado constitui um factor determinante para o desenvolvimento proto-industrial da vila onde, nos finais do século XIX e nos inícios do século XX, se desenvolveram algumas indústrias, já com alguma tradição no concelho em séculos anteriores, tal com a indústria caseira de esparto. Existia algum dinamismo no sector têxtil, mas a actividade de maior destaque era, sem dúvida, a manufactura do calçado[2].

A esse respeito, Silva Lopes, diz-nos, que havia em Loulé “… fabricas de cortumes, e olarias em que se fazem cantaros e alcatruzes, que são procurados por todo o Algarve e parte do Alêm-Tejo, para onde são exportados”[3].



[1] In: Febres Infecciosas – Notas sobre o concelho de Loulé, Geraldino BRITES, Imprensa da Universidade, Coimbra, 1914, p. 104.
[2] Vide: Maria da Graça Maia MARQUES, O Algarve da Antiguidade aos nossos dias, Edições Colibri, 1999, pp.394 – 395.
[3] In: João Baptista Silva LOPES, Corografia ou Memória Económica, Estatística e Topográfica do Reino do Algarve, 1.º Volume, Algarve em Foco Editora, p. 311.

abril 23, 2013

Loulé na segunda metade do século XIX



Loulé na segunda metade do século XIX

Em 1850, Charles Bonnet escrevia na sua obra: Algarve (Portugal) Description Géographique et Géologique de cette Province[1]:

 “Vila [Loulé] que é sede de concelho (…) segundo a minha opinião é a vila do Algarve mais agradável e onde melhor se pode residir. (…) A população, que cresce duma maneira rápida, é de 11 372 habitantes; o que por consequência, faz desta localidade a mais populosa de todo o Algarve”.


[1] Lisboa, Academia Real das Ciências, 1850.