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abril 24, 2014

Passear no Património de... Tavira (ou da Humanidade!)

A visitar:


Exposição temporária: Dieta Mediterrânica - Património Cultural Milenar @Museu de Tavira - Exposição Temporária



março 08, 2014

Moura ou simplesmente uma galante algarvia?

"...Parece que estamos vendo a moura Fátima, arrimada ao bocal do poço Vaz Varella – proximidade d’um extincto mosteiro carmelita [em Tavira] – pedindo a toda a gente que a desencante! Suprema illusão: a nossa moura é simplesmente uma galante algarvia, de cabellos sedosos, que enche a cantarinha d’essa agua deliciosa, e se surprhende, como a Samaritana junto ao poço de Jacob, de que lhe pedíssemos de beber..."

in: João Arruda - Cartas d’um viajor, 1908 

fevereiro 20, 2012

Pesca de atum



Fonte: Arquivo Municipal de Lisboa. Artur Pastor, déc. 40 séc. XX - Tavira

fevereiro 17, 2012

Pesca de atum

"A armação, engenho muito antigo, cujo nome, almadrava, cheira a árabe, é constituída pelo corpo – dividido em três compartimentos, câmara, bucho e copo – pela rabeira, que se estende até a terra, para que o atum não passe, e pelo quartel de fora, destinado ao mesmo fim, e estendido para o mar, em ângulo obtuso com a rabeira.
A armação tem às vezes a forma dum grande T, na temporada do direito, com duas bocas para a entrada do peixe servindo uma delas para a recuada da bacia de Monte Gordo. Para o atum de revés suprime-se parte da armação, ficando reduzida a um ângulo mais ou menos obtuso. A rede, de malha muito larga, mais apertada no copo, é tecida de corda da grossura do dedo mindinho. Nas bocas, que deixam entrar o atum mas não o deixam sair, está o segredo da armação."
in: Raul Brandão - Os Pescadores, 1923, p. 79

Fonte: Arquivo Municipal de Lisboa. Artur Pastor, déc. 40 séc. XX - Tavira

janeiro 14, 2012

Tavira
"A nossa primeira visita é para o quartel, edificação sumptuosa, que prolonga as suas casernas em torno da parada, copmo azas d’um insecto gigantesco. Percorremos todas as dependências que se mostram orgulhosamente. E o próprio coronel – do nosso conhecimento – que se digna inteirar-nos dos benefícios que teem engrandecido o alojamento militar, dos mis completos do paiz. Ao penetrar n’um dos dormitórios, onde fiadas de camas se alinham n’uma monotonia hospitalar, alguns soldados jogavam as cartas sobre a tarimba e o próprio cabo da guarda, olvidando os deveres da ordenança, participava do passa-tempo, deitado de bruços sobre a enxerga. Foi um dies irae a apparição do coronel. E teria sido também uma pagina triste na … baixa do cabo, se as nossas supplicas não conseguissem demover o propósito disciplinador do commandante que – ai d’elle! – a esta hora dorme o sonno dos justos sob os cyprestes do campo-santo. Este detalhe da nossa visita a Tavira não se apaga facilmente do nosso espírito, como jamais as apagará a memoria do brioso militar que tão amavelmente nos acolheu.


Estâmos na praça que recorta a sua pittoresca ateada, sob os paços do concelho: é ali o centro cívico da terra, o rendez-vous da classe grada, o conclave político, o commentario aos acontecimentos mundiaes, o thermometro da alegria ou da desolação nos lances da pesca.

D’ali abrem os arruamentos que são amplos, bordados de bons edifícios, e para toda a gente se ramificam «maeadams» de ligação aos grandes povoados: a Vila Real, a Beja, a Loulé, a Castro-verde, a Olhão, a Almodovar e a Faro.

A egreja matriz de Santa Maria do Castello, a antiga mesquita, em parte destruída pelo terremoto, é sepultura de D. Paio Peres Correia – o Jack estripador…do mourismo – S. Thiago, também matriz, crê-se datar do século XI, mas promette derruição se os poderes públicos não acudirem a sua … cachexia senil.

Não nos proporciona o horário mais detalhado exame aos edifícios religiosos de Tavira que são magníficos: o da Misericordia impõe-se pela belleza dos seus azulejos; o de S. Francisco, que foi obra de D. Diniz, soffreu as inclemências d’uma trovoada, mas não deixa por isso de merecer a visita dos forasteiros.

Uma rápida mirada ao Asylo da Infancia Desvalida – installado no antigo mosteiro de carmelitas, que é, na modéstia das suas proporções, um primor de asseio e de boa ordem, com os seus terraços altaneiros a proporcionar ao viajor um golpe de vista empolgante. De caminho, a entrada obrigatória no templo, que ainda mantém a beleza das suas pinturas e… a esmolinha bemdita n’um dos cofres do Asylo, fechado a sete chaves, mau grado a protecção da Senhora do Carmo, que sob a forma de registo impresso, espreita o orifício do mealheiro!"
in: João de Arruda - Cartas d'um viajor, 1908, p. 117

janeiro 13, 2012

"De Olhão a Tavira, a paisagem é deliciosa, na frescura dos seus arvoredos e na variedade das culturas onde avista o motivo dominante dos figueiraes. Alguns apeadeiros, facilitando a communicação com as vivendas … e com as aldeias que se aninham por vinhedos e pomares. Fuzeta, tão celebrizada pela excellencia dos seus vinhos, e pouco depois – Tavira.

A nossa primeira impressão da cidade é de inteiro agrado, ao percorrer a linda ponte, como um enorme hyphen a dividir os dois barros marginaes. A beira d’agua, d’essa ria imensa onde as areias da foz vão conquistando o passo de grandes embarcações, desdobra-se o jardim público, na garridez da floração, desenhando caprichosos arabescos em torno do coreto. Localisa-se áli um trecho de Veneza onde não faltam, n’um arremedo de gôndolas, as bateiras recurvas dos pescadores."
in: João Arruda - Cartas d’um viajor,1908,  p. 117