agosto 09, 2014

Senhora da Orada - cont. 2

A dinâmica económica e social da festa

A festa era um acontecimento muito importante no calendário da vida social albufeirense, durante meses a comunidade piscatória envolvia-se nos preparativos da festa, este era, a par da festa do Senhor dos Passos, o grande acontecimento do ano, “era dia de vestir a roupa nova, preparada semanas antes”, relembram os mais velhos.
Nos dias de festa realizava-se também a feira da Orada, no adro da ermida, esta foi instituída por D. José, a 21 de Maio de 1766: “…devotos da Irmandade de N. S.ª da Orada venerada na Igreja junto á Vila de Albufeira me apresentaram por sua petição para ele poderem trazer aquela igreja com toda a ordem culto e veneração (…) e porque a Imagem da mesma Excelsa Senhora, é muito milagrosa e se festeja no dia 15 de Agosto em que nesse dia há grande concurso de gente ao dito sitio pretendem fazer no mesmo dia uma feira franca aplicando-se o terrado para o culto da mesma Senhora passe a presente Provisão para que no dito dia 15 de Agosto de cada ano se possa fazer uma feira franca de 3 dias…”aproveitando, deste modo a afluência do grande número de fiéis que aqui se deslocava em homenagem à Senhora da Orada, vindo de vários pontos do Algarve, sobretudo da cidade de Faro.

A tradicional procissão de 14 de Agosto fazia-se da capela até à zona do túnel, na esplanada (o Hotel Sol e Mar ainda não tinha sido construído) e aí parava virada para o mar, onde as embarcações dos pescadores, não apenas dos de Albufeira, se juntavam para celebrar a sua padroeira e faziam-no com apitos e ovações, regressando depois ao trabalho. O seu itinerário passava pelo coração da vila antiga e o seu momento alto culminava em frente à praia.