dezembro 31, 2014

Romã - no cristianismo


Pormenor portal igreja de Alvor , vide:Portal Matriz Alvor
No cristianismo a romã simboliza a perfeição divina, o amor cristão e a virgindade de Maria, mãe de Jesus. Fruto divino, na Bíblia, as romãs surgem em algumas passagens e estavam esculpidas no Templo de Salomão, em Jerusalém. 

Na tradição católica, a romã é consumida no Dia de Reis, 6 de Janeiro. 

Também reza a tradição que para se ter dinheiro ao longo do ano se deve guardar a "coroa" da casca da romã.

dezembro 27, 2014

Romã

Romã , pomum granatus, do latim: pomum= maçã + granatus = com sementes

Símbolo do amor e da fertilidade por suas numerosas sementes, o culto à romã vem dos rituais pagãos da Antiguidade que continuaram a se propagar mesmo com o advento do cristianismo.



dezembro 25, 2014

O solstício de Inverno e o Natal

A celebração do Natal foi estabelecida pelo Papa Libério no ano 354. Diz-se que a data de 25 de Dezembro foi escolhida pela igreja porque esta era a altura em que muitos povos pagãos celebravam o solstício de Inverno.

dezembro 23, 2014

Festa em honra do deus sol

Na antiga Roma a 25 de Dezembro realizava-se a festa em honra do deus sol, que coincidia com o solstício (de Inverno).

Neste dia os romanos tinham o hábito de trocar prendas entre si, para terem sorte e abundância de bens durante o ano novo. Daí a tradição de se darem presentes no Natal.

dezembro 21, 2014

Brrrrrrrrr que frio!

Um figueiral coberto de neve@Algarve
Troço da EN 125 perto de Olhão

Ainda o nevão



“Durante parte do dia de ontem e da noite passada caiu sobre esta cidade [Faro] forte nevão, facto que se regista aqui pela primeira vez e despertou a mais viva curiosidade, pois a maior parte da população nunca vira neve. Esta atingiu nalguns pontos mais de um palmo de altura e conservou-se durante quase todo o dia de hoje, que esteve muito frio”.

"A neve caiu em São Brás ininterruptamente durante 10 horas, atingindo nas ruas “30 centímetros de altura e, nalguns sítios, 1 metro”


Na Fuzeta, escreveram os jornais da época, “não há memória de espectáculo tão deslumbrante como o que se verificou nesta povoação, cujas ruas e açoteias ficaram cobertas de neve”. 



dezembro 20, 2014

Nevão no Algarve - 1954

“O frio tem sido muito intenso. De manhã caiu um nevão, o que admirou muita gente, pois, na verdade não há memória de tão grande quantidade de neve. Os flocos levíssimos, pareciam pétalas de flores de amendoeira”. No entroncamento ferroviário de Tunes, a aldeia “acordou sob um espesso manto de neve. Não há memória de um nevão assim no Algarve.”
Aljezur

dezembro 19, 2014

Algarve vestido de branco

“Os telhados, os caminhos, e os campos tomaram encantador aspecto, com a sua imaculada brancura, espectáculo nunca visto nestes sítios. A camada de neve atingiu alguns centímetros de espessura e serviu de divertimento à petizada”.

“Com um céu de tonalidade uniforme de chumbo e ausência de vento, caiu neve de manhã, sobre esta localidade [Armação de Pêra]. Os telhados e os campos ficaram completamente brancos e o espectáculo, pela primeira vez aqui observado, impressionou vivamente a população”.

dezembro 18, 2014

Neve no Algarve - Portimão

“Na tarde de hoje [2 de Fevereiro de 1954] das 16 às 19 horas, caiu com maior intensidade, pelo que a cidade [Portimão] ficou toda coberta de branco. Nas ruas a neve atingiu entre 10 e 20 centímetros de altura. Não há memória entre a gente idosa da terra de nada semelhante ao que agora se presenciou e o assunto é comentado como estranho fenómeno nestas paragens.” 

in: Diário de Notícias de 2 de Fevereiro de 1954

Neve junto à Casa Inglesa, Portimão


















dezembro 15, 2014

Mel e cera

"Mel. Cera.

Nos corgos, entre as serras, bastantes colmeias há em cortiços de sovereiros ou azinheiras, que produzem excelente mel pela abundancia de plantas aromáticas: exporta-se algum, assim como a cera; fabricando-se outra em varias terras. Não há porêm maior abundancia senão em as freguesias da serra de Tavira e Alcoutim. O de superior qualidade cresta-se na beira-mar e barrocal."

in: João Baptista Silva LOPES, Corografia ou Memória Económica, Estatística e Topográfica do Reino do Algarve, 1.º Volume, Algarve em Foco Editora,1988[1.ª ed. de 1839] p.156

dezembro 12, 2014

Uma fama já antiga



"Laranja e limão: estas fructas são talvez (às de certos sítios) as mais preciosas do reino: exportão-se não poucas, em navios belgas, hollandezes, francezes, e inglezes."


in: João Baptista Silva LOPES, Corografia ou Memória Económica, Estatística e Topográfica do Reino do Algarve, 1.º Volume, Algarve em Foco Editora,1988[1.ª ed. de 1839] p.151

dezembro 10, 2014

Mariscos


"Não só de varios peixes abunda a costa do Algarve, mas tambem de diversos mariscos, que fornecem a seus habitantes  precioso e exquisito alimento: deles estão cobertas as praias e rochas; e a pouco ou nenhum custo vai o pobre apanhar naquelas a ameijoa, berbigão, longueirão, cadelinha, lapa, etc. e nestas a ostra, mexilhão, lapa, burgao, perceve, etc. A lagosta, camarão, lobagante, caranguejola, e buzio vêm nas redes que não poucas vezes tambem trazem esponjas, ou o mar as arrojas ás praias, nas mais lodosas das quaes se encontrão muitos e bons caranguejos. Algumas vezes tambem aparecem tartarugas."

in: João Baptista Silva LOPES, Corografia ou Memória Económica, Estatística e Topográfica do Reino do Algarve, 1.º Volume, Algarve em Foco Editora,1988[1.ª ed. de 1839] p.101

dezembro 06, 2014

Presépio tradicional do Algarve

O Presépio tradicional do Algarve é característico, das zonas da serra e do barrocal e reflecte a estreita relação com a terra e os ciclos naturais, determinantes de outros tempos.

Este dispõe-se em altares revestidos por uma tolha de renda branca, que pode ser de linho nas casas mais abastadas, onde se destaca a figura do Menino Jesus que está no  altar a abençoar as searinhas de trigo, que por sua vez são ladeadas por laranjas - símbolo de distinção  - evocando a prosperidade do próximo ano (agrário) que se avizinha.

As searinhas são cultivas no dia 8 de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, em pratinhos rasos e são mantidas até ao dia de Reis, altura em que são transplantadas, reforçando os votos de boas colheitas para este novo ano que se inicia.

dezembro 05, 2014

Vinho, vinagre e ...

"Do bagaço fazem vinagre, pouco de destila para aguardente. (…)
As vinhas ficárão bastante estragadas, e muitas deixarão de ser vindimadas em 1833*, e podadas em 1834* por causa da guerra, de sorte que foi preciso importar vinho para muitas terras em que sobeja."

*Período das Lutas Liberais

in: João Baptista Silva LOPES, Corografia ou Memória Económica, Estatística e Topográfica do Reino do Algarve, 1.º Volume, Algarve em Foco Editora,1988[1.ª ed. de 1839] p.140

dezembro 04, 2014

Vinho

Iluminura Medieval
"O vinho he feito mui imperfeitamente: acabada a vindima, que começa nos princípios de setembro, e dura até meio de outubro, lança-se a uva em dornas ou lagariças; alli he pizada aos pés dos homens, e encubado logo o mosto em pipas ou toneis. (…)"


in: João Baptista Silva LOPES, Corografia ou Memória Económica, Estatística e Topográfica do Reino do Algarve, 1.º Volume, Algarve em Foco Editora,1988[1.ª ed. de 1839] p.139


dezembro 02, 2014

Ainda sobre a produção de azeite


"Fabrica-se muito azeite no Algarve, a ponto de se exportar por sobejar consumo. (…) As azeitonas preparadas em salmoira são tambem alli obejcto de commercio; e algumas se exportão."

in: João Baptista Silva LOPES, Corografia ou Memória Económica, Estatística e Topográfica do Reino do Algarve, 1.º Volume, Algarve em Foco Editora,1988[1.ª ed. de 1839] p.148 

dezembro 01, 2014

Tema do mês...

Este mês de Dezembro vai ser  dedicado à alimentação, no sentido lato do termo, assinalando, deste modo o 1.º aniversário da classificação da Dieta Mediterrânica como Património Cultural Imaterial (PCI) da UNESCO, fique atento!

novembro 29, 2014

Modo de vida

"De geração em geração, tradições e práticas vão sendo transmitidas, preservando saberes e sabores, para que à mesa de Portugal se aprecie tanta variedade de pão, azeite e vinho, sopas, ensopados, cozidos e caldeiradas.

Sublimam os aromas, as ervas aromáticas. São iguarias simples, verdadeiras almas imaculadas de um povo.


Esta cozinha não é um regime alimentar, é um modo de vida."



in: Dieta Mediterrânica-  um património civilizacional partilhado, brochura realizada no âmbito da Comissão responsável pela candidatura da Dieta Mediterrânica a Património Cultural Imaterial da Humanidade/UNESCO, p. 18 - PDF

novembro 26, 2014

Azeite

"Geralmente associado ao cultivo da vinha está o cultivo da oliveira, espécie difundida pelos muçulmanos e que marca, indiscutivelmente, a paisagem meridional. O aumento do cultivo da oliveira, que traça um caminho inverso ao da Reconquista, sem, contudo, ultrapassar muito a linha do Mondego, está associado à produção de azeite.

O azeite é a gordura mais utilizada na Idade Média, quer por cristãos, quer por muçulmanos. É utilizada na cozinha e também na iluminação. Loulé, concelho situado a sul, antigo centro urbano muçulmano, como não poderia deixar de ser, possuía lagares de azeite…”


BATISTA, Patrícia, “A Alimentação no concelho de Loulé nos séculos XIV e XV”, in: Al’-Ulyã, n.º 11, Revista do Arquivo Histórico Municipal de Loulé, Loulé, 2006, pp. 69-82


novembro 25, 2014

Dieta mediterrânica

"A natureza mediterrânica do território nacional assim estabelecida, associada à localização atlântica está na origem da história da alimentação dos portugueses, muito caracterizada pelo consumo de produtos mediterrânicos (trigo, vinho, azeite, hortícolas e leguminosas) complementado com os recursos da pesca."

in: Dieta Mediterrânica-  um património civilizacional partilhado, brochura realizada no âmbito da Comissão responsável pela candidatura da Dieta Mediterrânica a Património Cultural Imaterial da Humanidade/UNESCO – PDF

novembro 23, 2014

Paisagem e alimentação

“As diferenças entre o Norte e o Sul, com o Mondego como referência, estão bem patentes no clima e morfologia dos terrenos, nos sistemas agrários e na divisão da propriedade, nos vinhedos serranos do Douro e no montado alentejano, nos povoamentos fracionados ou concentrados, no granito da casa nordestina ou beirã e nos barros e taipas do Alentejo e Algarve. São também visíveis nas expressões linguísticas e “falares”, nas festas e modos de celebração colectiva, na tradição oral, nos desfiles de oferendas, e ainda no desenvolvimento de formas particulares de preparação e confeção dos alimentos onde os conhecimentos transmitidos de geração a geração se associaram aos saberes e produtos trazidos pelas permutas das Descobertas.”

in: Dieta Mediterrânica-  um património civilizacional partilhado, brochura realizada no âmbito da Comissão responsável pela candidatura da Dieta Mediterrânica a Património Cultural Imaterial da Humanidade/UNESCO - PDF aqui


novembro 21, 2014

Casa Algarvia

Imagem retirada de: PDF



a barrinha azul ao comprido da fachada
branca
é para rimar
com o debrum a mar
ao longo
do horizonte
Azul
rima
com Sul





Teresa Rita Lopes, O Sul dos meus sonhos

novembro 20, 2014

Igreja S. Lourenço


Pão e vinho

“A base da dieta alimentar medieval é constituída pelo pão e pelo vinho. O pão é sem dúvida alguma, presença obrigatória, quer na mesa dos ricos, quer na dos pobres, com as respectivas diferenças. De facto, o enorme cultivo que se faz de cereal por todo o país, inclusivamente em zonas onde os solos não se mostram férteis para tal cultura e a necessidade de importar pão do estrangeiro, só se justifica devido ao seu enorme consumo…”


BATISTA, Patrícia Santos, “A Alimentação no concelho de Loulé nos séculos XIV e XV”, in: Al’-Ulyã, n.º 11, Revista do Arquivo Histórico Municipal de Loulé, Loulé, 2006, pp. 69-82

novembro 19, 2014

Pão

“Lado a lado com o vinho, encontramos, para a época medieval, o pão! O pão é um dos alimentos base da alimentação medieva. Devido à falta de cereal, “pão” não era sinónimo de pão de trigo. O pão dos ricos era alvo, feito de trigo, o cereal nobre; enquanto que o pão dos pobres era escuro, de mistura, por vezes até com mistura de três cereais: centeio, milho-miúdo e cevada. Era um pão de segunda. O pão de trigo para os mais desfavorecidos era apenas consumido em dia de festa!”






BATISTA, Patrícia Santos, “A Alimentação no concelho de Loulé nos séculos XIV e XV”, in: Al’-Ulyã, n.º 11, Revista do Arquivo Histórico Municipal de Loulé, Loulé, 2006, pp. 69-82

novembro 17, 2014

Beber vinho


O vinho é a bebida medieval por excelência; podia ser bebido simples ou misturado com água, bebia-se às refeições, ou apenas para matar a sede. O verbo beber , na Idade Média significa beber vinho!

novembro 15, 2014

A vinha

No litoral algarvio cultivava-se a vinha para produção de vinho e de passas de uva nas suas qualidades: passa assaria, a melhor, e passa bual, que se exportava.

Frei João de S. Jose citado por Magalhães (1970) A vinha, não menos comum no Algarve do que as arvores de fruto, diferia da de Portugal, segundo, por se não cavar, empar, nem trazer tão mimosa, utilizando-se como principais castas as uvas mouriscas, de que se faz vinho, e as chamadas salira, a que em Portugal chamavam açaria, que se secam para passa. Estendidas a maneira de canteiros, por terem depois lugar de as uirar, e tomar o sol dambas as bandas, e he bom cobrilas de noite por cauza do orvalho que lhes faz mal, como são passadas as apanhão, e enseirão, como as cá vemos.

Margarida Costa, “As produções agrícolas e a dieta mediterrânica”  in: Dieta Mediterrânica em Portugal: Cultura, Alimentação e Saúde, Universidade do Algarve, Faro, 2014, p. 77.


novembro 13, 2014

Monchique: originalidade da paisagem


Entre as serras do Algarve Monchique sempre se destacou pela originalidade da sua paisagem, devido ao seu maciço sienítico esta apresenta um solo muito fértil e abundância de água, sendo assim descrita no século XVI: “tudo é cercado de pomares deleitosos, em que há castanhas, nozes, peras, maçãs e outra muita fruta; tem muitas vinhas, muita criação de gado, muito mel e cera e pão.



“Duas Descrições do Algarve do Século XVI(Apresentação, leitura, notas e glossário de Manuel Viegas Guerreiro e Joaquim Romero de Magalhães) Cadernos da Revista de História Económica e Social, 3, Lisboa: Sá da Costa Editora, 1983.

novembro 11, 2014

Castanha, um bocadinho de história

"Desde a pré-história que a castanha é consumida pelo homem. Existem espécies nativas milenares, na Europa, Ásia e América. Ao longo do séculos a árvore tem tido uma utilização plena, com a madeira a ser aplicada em móveis, devido à sua resistência, as folhas a servirem de forragem para gado, e a semente escondida no espinhoso pericárpio, a ser um alimento de subsistência na história da humanidade. O guerreiro grego Xenofonte que participou na investida de Cironpara tomar a Pérsia, descreve as crianças da nobreza persa como robustas, de pele delicada e alva, e que eram engordadas com castanhas cozidas. Os gregos domesticaram a árvore a partir de espécies selvagens oriundas da cidade de Kastanea, que deu origem ao latim castanea."

In: Fortunato da Câmara, Alimentos ao sabor da história. Receitas e curiosidades, Colares Editoras, Sintra, 2010, p. 62

novembro 10, 2014

Lenda do verão de S. Martinho


APL 118
S. Martinho antes de ser Santo foi soldado do Imperador. Uma vez ia montado no seu cavalo num dia tempestuoso de chuva e vento muito embrulhado na sua capa de soldado.
 Surgiu-lhe num caminho um pobrezinho de mão estendida muito magra semi-nu a tremer de frio e também de fome. O Moço cavaleiro ficou abalado, e depois de dar umas moedas ao pobre desceu do cavalo e com a própria espada cortou a capa que trazia ao meio dando uma parte ao pobre, para ele se cobrir e ficando com a outra metade para si. Passados momentos o temporal amainou as nuvens foram desaparecendo, transformando-se a tempestade num dia de sol brilhante, raro na estação do Outono.
 Eis a Lenda do Verão de S. Martinho, Santo que é comemorado no dia 11 de Novembro, geralmente com um serão de família e amigos.
 Diz o ditado. No dia de S. Martinho, prova o teu vinho.
 Usança — Junta-se a família, convidam-se os amigos e todos se reúnem à lareira, ao redor de uma boa fogueira. É o tempo da apanhadas castanhas e nesse dia, assa-se uma grande porção num assador próprio, feito já para tal, em latão com buracos no fundo. Põe-se dependurado em cima da fogueira e enquanto assam, uns conversam, outros vão buscar o vinho.
 As castanhas depois de assadas, deitam-se num cesto que se coloca ao centro, para todos lhe chegarem.
 Come-se com fartura, bebe-se bem, juntando-se mais uns petiscos
que haja na ocasião. Há risos histórias e anedotas de varias espécies.
Uma para exemplo:
Havia uma mulher que gostava muito de vinho e todos os dias ia à pipa, mas às escondidas do marido.
 Este, um dia morreu e então a mulher fez-lhe um grande pranto e nos dias a seguir, a vida dela era acocorada na lareira coberta com um chaile e com uma bota de vinho, sempre metida no regaço.
 As vizinhas vinham vê-la e ela sempre a lamuriar-se. Estas diziam-lhe:
 — Sai daí mulher! Agora queres passar a vida a prantecer!?... Ela respondia:
 — Sem secar estes courinhos não apago as minhas penas, não saio daqui. Ia bebendo sempre, até a bota ficar vazia e só assim as penas se apagavam.
Fonte BiblioAFONSO, Belarmino Raízes da Nossa Terra Bragança, Delegação da Junta Central das Casas do Povo de Bragança, 1985 , p.116-117
Place of collectionSambadeALFÂNDEGA DA FÉ, BRAGANÇA
ColectorBranca do Sacramento Rodrigues (F)

in: http://www.lendarium.org/narrative/lenda-do-verao-de-s-martinho/ acedido em 22.10.2014

novembro 09, 2014

Lenda de S. Martinho

in: lendarium.org, acedido a 22.10.2014

APL 2567
Num dia estava uma grande tempestade, muita chuva, muito frio, um tempo assim horroroso, e ele [Martinho] ia a cavalo (…) e estava um pobrezinho à chuva e ao frio, sem estar coberto nem nada, à beira da estrada. E o Martinho passou no cavalo, viu o pobre lá cheio de frio, lá a um canto e desceu do cavalo e tirou a capa dele e pôs a capa por cima do pobre (…). Por sinal, o pobrezinho era Jesus Cristo e Jesus Cristo levanta-se e de repente a chuva pára, o vento pára, tudo pára e aparece o sol. E Jesus Cristo supostamente disse ao Martinho que a partir desse momento em diante, naquela altura, ia sempre haver sol, ia ser sempre o verão de S. Martinho, em homenagem a ele.
Fonte BiblioAA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a,
Ano2005
Place of collection-, FARO, FARO
InformanteAna Rita Tomé (F), 19 y.o., born at - (FARO) FARO,
Narrativa
WhenI Century,
CrençaUnsure / Uncommitted

novembro 01, 2014

Pão por Deus


“Novembro – O dia primeiro ou da festa de Todo-os-Santos era denominado nos documentos jurídicos do século XV Dia de pão por Deus: «Pagaredes o dito fóro em cada hum anno em dia de pão por Deus.» (Elucid.)”


in: Teófilo Braga, O Povo Português nos Seus Costumes, Crenças e Tradições, II Vol., Lisboa, Publicações D. Quixote, 1994, p. 222.

outubro 24, 2014

Florestas no Algarve



“Quem tiver percorrido o país fica surpreendido com as poucas florestas que encontra, sobretudo no Sul e no Algarve.
Por todo o Portugal cortam os bosques, mas depois nãos os repovoam. Por isso, as montanhas estão na maioria dos casos desflorestadas. (…)

Nesta província à excepção das florestas de castanheiros, situadas nos arredores de Monchique, vê-se apenas um pequeno número de bosques mal plantados (…)”

in: Charles BONNET [1816-1867] – Memória Sobre o Reino do Algarve – Descrição Geográfica e Geológica
p. 141 e 142

Nora


outubro 23, 2014

Ainda sobre a matança

(...)
O desmanche da carne permite que todas as partes sejam aproveitadas, entre aquelas que se consomem no próprio dia, ou nos dias subsequentes, às outras que têm que ser conservadas, não nos esqueçamos que o objectivo da matança do porco era garantir a provisão de carne para todo o ano.
No fim (sendo que a matança pode durar dois dias), cada convidado leva um bocadinho de carne para casa, uma vez mais uma forma de agradecer a ajuda, mas também um suplemento alimentar importante nos meios rurais.
Actualmente a matança do porco não tem a mesma função de subsistência que desempenhava no passado, porém esta continua a fazer parte do calendário desta zona serrana, aliás à semelhança do que acontece noutras outras regiões do país, representando ainda um suplemento económico.
(...)



P.S.B.

outubro 20, 2014

Calendário da matança

(...)
 
A matança ocorre num período concreto do calendário, nos meses de Inverno. A época da matança inicia-se com os primeiros frios, aproximadamente, a partir do S. Martinho, conforme diz o ditado: “Pelo S. Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho”, estendendo-se, no máximo até ao Carnaval. Esta é a altura ideal para o efeito, uma vez que há pouco que fazer nos campos e porque o frio é bom para conservar a carne...

P.S.B. 

outubro 18, 2014

"Saberes-Fazeres"

(...)
Os saberes-fazeres típicos de Monchique estão relacionados com a transformação da matéria-prima disponível no território. (...)  A urze é utilizada no fabrico de colheres de pau, estas eram utilizadas para comer as “papas de milho”,  “… toda a família comia directamente [do tacho] usando colheres de pau que eram lambidas e relambidas antes de se voltar a meter no tacho.”(...)


P.S.B.

outubro 17, 2014

“Magusto dos Santos”

(...)
Outra data representativa da cultura e identidade monchiquense é o dia 1 de Novembro. É o dia do “Magusto dos Santos” (por se realizar no Dia de Todos os Santos) - Outros posts sobre o assunto.  Esta é uma celebração única de Monchique, em contexto regional, uma vez que apenas nesta serra se encontram castanheiros, espécie que não se encontra em qualquer outra parte do Algarve.
 

Em Marmelete reúnem-se centenas de pessoas que desfrutam da magnífica castanha assada de maneira tradicional, através dos magustos.

Este é o dia do Magusto e se hoje os castanheiros escasseiam nesta serra, a importância desta data remete-nos para tempos idos, em que a castanha aqui era um fruto comum, abundante e sobretudo muito nutritivo. Devido a essa abundância de castanhas, era costume os produtores, depois das colheitas, se juntarem entre familiares e amigos e, no dia 1 de Novembro, realizarem um magusto de castanhas.


Para além das castanhas, por vezes também se comem batatas, que são assadas numa cova cavada no solo e recoberta seguidamente com terra, sobre a qual se acende uma fogueira. Uma vez mais, a aguardente de medronho aparece no magusto como um complemento obrigatório.

(...)
P.S.B.

outubro 16, 2014

Paisagem



A cozinha é a paisagem posta na panela"



Fotografia: Artur Pastor




















Citado por Maria Manuel VALAGÃO, “Identidade e Memória Mediterrânica da Alimentação Algarvia”, in: Dieta Mediterrânica. Património Cultural Milenar, Câmara Municipal de Tavira, 2013, p. 44.

outubro 15, 2014

Descasca ou Desfolhada - Monchique


Em Setembro (em data móvel) decorre a chamada “Descasca ou Desfolhada”, numa tentativa, por parte de Junta de Freguesia de Marmelete, em recuperar a tradição que consistia em descascar, manualmente, as maçarocas de milho, num ambiente de festa e espírito de interajuda, característico do trabalho comunitário destes meios.
P.S.B.

outubro 13, 2014

Matança do porco



Em Monchique “o porco é morto e salgado exactamente como há um século, escolhendo-se o quarto crescente da Lua para que a carne não «mingue» na panela"...


in: Glória MARREIROS – Um Algarve Outro contado de boca em boca (estórias, ditos, mezinha, adivinhas e o mais), Col. Horizonte Universitário, n.º 56, Livros Horizonte, 2.ª ed., 1999,p.15

outubro 11, 2014

Já diz o povo...

Provérbios


"O vinagre e o limão são meio cirurgião"

"Azeite de oliva todo o mal tira"

"Queijo com pão faz o homem são"

outubro 10, 2014

Paisagem à mesa...


"Olhar a paisagem algarvia, observá-la atentamente é perceber como se organiza a alimentação, neste caso, uma paisagem composta de terra e de mar, com os seus produtos alimentares constituem elementos privilegiados de interpretação da cozinha local das especificidades do território, as quais por sua vez, são o resultado da simbiose entre património natural e património cultural, através de uma intervenção humana concertada com o equilíbrio ambiental. Assim sendo, as paisagens refletem a história e a interação entre o Homem e a Natureza, no sentido de satisfazer as suas necessidades alimentares."


Maria Manuel Valagão, "Identidade alimentar mediterrânica de Portugal e do Algarve", in: A Dieta Mediterrânica em Portugal: Cultura, Alimentação e Saúde, Universidade do Algarve, Faro, 2014, p. 34


outubro 06, 2014

"Remexido"




In: Nova História Militar de Portugal, dir. Manuel Themudo Barata e Nuno Severiano Teixeira, vol. 3, Circulo de Leitores, Lx, p. 219

Nossa Senhora de Guadalupe


                                      

in: BELO, Duarte, Portugal - Luz e Sombra. O País depois de Orlando Ribeiro, Temas e Debates/ Círculo de Leitores, p.29

outubro 05, 2014

Figos prenhos




Receita:
"Faça um massapão com amêndoas raladas, o mesmo peso de açúcar e uma clara de ovo. Tenda pequenos bolinhos e use um pouco de ovos moles como recheio. Abra os figos secos do lado contrário ao pé e encha-os com o massapão recheado, de maneira que se veja o amarelo dos ovos moles."

in: SARAMAGO, Alfredo, Cozinha Algarvia, Assírio & Alvim, pp. 182 e195

outubro 04, 2014

Banhistas de Alforges

Banhistas de Alforges


Iam a banhos a partir de Setembro, até, sensivelmente, 15 de Outubro, depois das colheitas. 

Acontecia um pouco por todo o pelas praias de toda o país, de Norte a Sul. Uma belíssima descrição sobre estes banhistas na Figueira: O banhista de alforge
Muitas vezes estes banhistas levavam também os animais para o "banho santo", ou o "banho do 29 (a 29 de Setembro).

Praia da Figueira da Foz