janeiro 29, 2015

Região

"(…) durante as últimas décadas, esta região tem funcionado em relação ao corpo continental do país, como se fosse o resultado galopante duma adição de todas as suas partes. Há uma imagem que pode ajudar a descrevê-la – Basta representar o rectângulo, e ir inscrevendo nele região, parcela por parcela, até se atingir o limite sul do Baixo Alentejo. Aí chegando, desenhe-se um traço horizontal, proceda-se ao cálculo numérico, e obter-se-á o Algarve, entre os meses de Julho e Setembro."



in: Contrato Sentimental, Lídia Jorge – Sextante Editora, 2009, p. 150

janeiro 26, 2015

Esplanada do Túnel

Folheto Praia de Albufeira (antes anos 60, pois ainda não existia o Hotel Sol e Mar) - Turismo do Algarve

janeiro 22, 2015

A alegre vida de Albufeira

«Enquanto almoço, observo o movimento. Camionetas de luxo despejam excursões coloridas de turistas, que logo preparam as máquinas fotográficas. Carros abertos, barulhentos e de dois lugares, sempre um rapaz e uma rapariga, ultrapassam os automóveis familiares, rodam por entre mulheres de mini-saia, homens de calção e camisola. Grupos lentos de camponeses passam, olhando. Vieram para ver, não para viver, a alegre vida de Albufeira.»



in: FONSECA, Manuel da, 1987, Crónicas Algarvias, Caminho, 2.ª Edição.

janeiro 19, 2015

Albufeira vista por Manuel da Fonseca

«Reentro na rua que sai do túnel da praia. Percorro uma espécie de feira. Há cestinhos de palma, alcofas, chapéus de palha, malinhas de mão, bijutarias. Deste último artigo a maior parte dos vendedores são estrangeiros, rapazes e raparigas.

Na avenida, lojas, o cinema. A esquina, num terraço de toldos, que dá sobre o jardim, um restaurante. Subo a escada de pedra, sento-me debaixo de um toldo.»



in: FONSECA, Manuel da, 1987, Crónicas Algarvias, Caminho, 2.ª Edição.

janeiro 17, 2015

"Tudo velho"

«Subo ao terreiro da casa do peixe. Para lá da esquina, sigo por uma rua íngreme. E, como se tudo, casas e ruas, fosse lavado de cal e sol, subindo sempre, chego ao coração da antiga Albufeira. Rua da Igreja Velha, Rua do Correio Velho. Tudo velho, ruas, becos, vielas. Mas tudo caiado e limpo, tudo varrido do vento do mar. Velhos, velhas, crianças, pescadores. Redes como estores, a taparem as portas. Cheiro a peixe.»


in: FONSECA, Manuel da, 1987, Crónicas Algarvias, Caminho, 2.ª Edição.

janeiro 15, 2015

A esplanada e o túnel

«A esplanada, passado o túnel, assenta em três áreas distintas, cimentadas ou de piso de lájeas. À esquerda, a porta de entrada para o hotel, secção de turismo, loja de artefactos da região, bilhetes-postais, cafés, sandes e gelados, refrescos. Fora, mesas sobre toldos redondos, cadeiras articuladas, que se dobram, a encostos graduados: de repousar sentado, reclinado, até se estenderem, como camas estreitas; de estar de óculos escuros ou de olhos fechados, e não por pudor em qualquer dos casos, sou seminu a bronzear o mais que possa ser em toda a parte do corpo




in: FONSECA, Manuel da, 1987, Crónicas Algarvias, Caminho, 2.ª Edição.

janeiro 12, 2015

Crónicas Algarvias - Albufeira

«Desço da camioneta no jardim onde o vale, estreito até ali, se abre numa curva e alarga pela avenida até à praia dos pescadores. Com redes estendidas, barcos varados na areia, todos de proa voltada ao mar. Aos lados, as arribas tapam-se de casas, num amontoado de paredes de cal contra o azul do céu.» 


in: FONSECA, Manuel da, 1987, Crónicas Algarvias, Caminho, 2.ª Edição.

janeiro 10, 2015

ainda sobre as crónicas algarvias...

Continuação do post anterior...

"Apesar de, com a passagem dos anos, se ter ido esquecendo "dos textos enodoados pelos sórdidos carimbos", Manuel da Fonseca guardou nove das 16 crónicas manchadas pela intervenção da Censura. No livro recuperou as passagens cortadas, assinalando-as em itálico.
Essa é a primeira surpresa destas Crónicas, assim recuperadas à cobardia inerente a qualquer acto censório (seja qual for a sua justificação política, ideológica e cultural), junta-se aqui a mais absoluta mediocridade, a marca da mentalidade mais rasteira. Em Vila Real, um pescador acha "muito demorado" o projecto da ponte e da barra (só resolvido quase um quarto de século depois): o censor permite o "demorado", mas corta o "muito". Queixas sobre impostos, custo de vida, exploração do turista, construção nas arribas - tudo cortado.
O Algarve de que fala Manuel da Fonseca já não existe. Mas ele soube captá-lo no momento em que ia transformar- -se. Esse talento raro basta para recomendar-lhe a leitura hoje.”


Por Albano Matos, in: DN

janeiro 09, 2015

Crónicas Algarvias de Manuel da Fonseca

“No Verão de 1968, Mário Neves, director adjunto de A Capital (então renascida a partir de uma cisão no Diário de Lisboa), convidou o escritor Manuel da Fonseca a ir ao Algarve e contar aos leitores os 16 dias que por lá andaria de viagem, de Vila Real de Santo António a Sagres.

"Feitas de arremessos de entrevistas, encontros com amigos, conversas ocasionais, recordações", as crónicas seriam publicadas de 1 a 16 de Agosto, sob o título genérico de O Desafio do Algarve. Dezoito anos mais tarde, quando a Caminho as recuperou e editou em livro - Crónicas Algarvias -, o autor antecedeu-as de um prefácio em que revelava a luta desigual que travara com a Censura, cujos cortes o obrigaram a "amenizar" certos passos, mesmo assim cortados de novo. As provas regressavam com as marcas do lápis azul riscando o texto (ou certas passagens) e o carimbo vermelho com a indicação "Serviços de Censura/Sede Autorizado com cortes"...

continua...

janeiro 07, 2015

Guia de viagem

A família inglesa de editores Murray, John Murray III, utilizando descrições desta longínqua província de Portugal, feita por ingleses que aqui se deslocaram anteriormente, cria um verdadeiro guia de viagem, no sentido moderno do termo, com diversos conselhos úteis e práticos para se visitar o Algarve.

janeiro 05, 2015

Relatos de viajantes a Sul

No caso particular do Algarve, existem diversos relatos de viajantes que aqui se deslocaram entre finais do séc. XVIII e a centúria seguinte, essencialmente por motivos profissionais, como o alto funcionário francês do Ministério da Guerra, Leopold Alfred Gabriel Germond de Lavigne ou Hermann Friedrich Joachim Freiherrn Von Maltaz, que empreendeu uma viagem científica à região, na qualidade de Presidente da Sociedade dos Amigos da História Natural de Mecklenburg; e que descreveram as paisagens dos locais por onde iam passando, ou até mesmo o “farnel” que levaram para os longos percursos que percorreram.

janeiro 03, 2015

Literatura de viagens, um documento histórico?

Muito embora o enorme interesse na literatura de viagens, a sua utilização enquanto documento histórico deve ter em linha de conta algumas questões próprias da natureza desses textos.


A riqueza destas fontes é extraordinária, dada a curiosidade e a vivacidade de grande parte dos relatos, contudo, esse mesmo registo representa sempre um ponto de vista pessoal do autor; que por sua vez será influenciado por vários factores, desde logo pela sua formação e cultura, nacionalidade, expectativas, experiências, etc…

janeiro 01, 2015

No mês em que o blog faz anos!

No mês em que o blog faz anos, 5, abrimos o mês e o ano novo com o tema que nos inspirou e motivou à criação deste espaço: a literatura de viagens!

Até já!