setembro 27, 2014

O mote do nosso blog, agora na íntegra!

«A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: «Não há mais que ver», sabia que não era assim. O fim duma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já.» (Saramago, 1996, 257).

setembro 25, 2014

O distante Algarve

(…) Os nossos preparativos estavam concluídos, e como há só um comboio em vinte e quatro horas para cada direcção entre Lisboa e Faro, a capital dos Algarves, pode considerar-se que o trânsito entre a metrópole e o extremo sul não é nem muito vasto nem contínuo. O término fica no Barreiro, na margem sul, a mesma de onde partimos para irmos para Setúbal; apanhámos o barco a vapor da tarde que faz ligação com o comboio das cinco da tarde... (Ventura, 2005)

setembro 23, 2014

Monte Gordo

«Onde há, no País, outra praia de banhos que tenha, como Monte Gordo, uma extensão de dez ou doze quilómetros, podendo em qualquer ponto tomar-se banho, porque ao longo de toda ela o mar é uma piscina imensa, em que as águas têm o mínimo de ondulação necessária para não serem estagnadas?

As melhores casas de Monte Gordo pertencem a industriais de Vila Real, que assim afirmam, praticamente, a concorrência de interesses entre a curiosa vila pombalina e a sua freguesia de futuro mais prometedor» (Carvalho e Oliveira, 2009).

setembro 21, 2014

Algarve é...

«Se não fosse alentejano [Brito Camacho, 1923], desejava ser algarvio; mas consola-me o facto de ter nascido perto daqui, a curta distância da convencional fronteira entre as duas Províncias, porque o Algarve, para nós, homens do Alentejo, é uma varanda corrida, ornada das mais lindas flores, em que a gente se debruça para ver o mar» (Carvalho e Oliveira, 2009)

setembro 19, 2014

Nas nuvens


Lagos

«Lago seduz-nos com a sua ampla baía que pode abrigar todas as esquadras do mundo, e por ter sido o túmulo do infante D. Henrique.
A grande indústria de Lagos é a conserva e a salga da sardinha. Não escasseiam, porém, as almadravas para a pesca do atum que é vendido para Vila Real, povoado que em toda a costa do sul tem a primazia na conserva d’esse peixe saborosíssima.» (Arruda, 1908, p. 94)


setembro 17, 2014

Nas Caldas de Monchique

«As caldas de Monchique são um éden de vegetação e de frescura em pleno Algarve. Quando o estio calcina a terra, refugiarmo-nos nesta mansão da natureza é viver a vida descuidosa dos abades longe do struggle of life.
O forasteiro queda-se embevecido ao percorrer esse vale umbroso da estrada do ramal à fonte férrea, ou do paraíso aos petits Niágaras dos tanques novos.

(…) Só a estreiteza do horário nos força a abandonar esse recanto paradisíaco, tão convidativo, mesmo sem banquete de maça reineta...» (Arruda, 1908, p.86 – 93) 

setembro 15, 2014

Em Silves

«... O dia avança e o horário aperta­-nos entre a contingência de sair já ou de ficar por largas horas n’esta cidade adormecida que tem uma Sé sem bispo, um rio sem navegação, dois hotéis sem hóspedes e algumas prisões sem reclusos!» (Arruda, 1908, pp. 76 – 79)

setembro 12, 2014

Tríade vegetal

«Mergulhamos no sono, até que a frescura arrepiante da madrugada, nos surpreende nas proximidades de S. Bartolomeu de Messines, oferecendo-nos completa mutação de paisagem. Por toda a parte que a vista abrange a Figueira, a Amendoeira, a Alfarrobeira – trindade vegetal que faz a riqueza do Algarve». (Arruda, 1908, p. 74)

setembro 11, 2014

Rumo a Sul


«Façamos de Beja – a sequiosa – a nossa primeira etapa a caminho do velho país dos turdetanos e … das alfarrobas.» (Arruda, 1908, p.69)

setembro 09, 2014

O "Pai" do Algarve - Harry Chandler (I de II)


 "No capítulo de pioneiros de turismo, e em relação ao Algarve, esse mérito deve-se a Harry Chandler (1913-1991). Harry, com quem o autor teve o prazer de confraternizar, ao ser igualmente pioneiro do turismo inglês em relação a Thomas Cook, foi o primeiro a revelar o Algarve. O homem que, quando rapaz, foi mordido pelo bicho das viagens e que, por isso, decidiu ir de bicicleta, de Londres a Berlim, na Primavera de 1934, passando pela cidade austríaca de Seefeld, no Tirol, onde, um ano depois, deu início à sua actividade profissional, numa escala familiar em que se veio a especializar. Interrompendo o seu entusiasmo depois da eclosão da guerra, o que não esperava, foi ver-se requisitado pelo exército britânico para fazer o que mais gostava - organizar as expedições militares, nomeadamente para o Extremo Oriente.   Considerando o autor como amigo, foi com satisfação que, como o único jornalista não britânico, fez parte dos passageiros do avião especialmente por ele fretado, cheio de amigos e colegas da especialidade do anfitreão, incluindo a fina flor dos jornalistas ingleses de turismo, rumo a Seefeld, no Tirol austríaco, em 19 de Outubro de 1985, a comemorar os seus 50 anos de actividade. Uma peregrinação memorável e conviver com muitas e destacadas pessoas que com ele lidaram desde 1935 pelo facto de não só pôr Seefeld no mapa turístico, como, e muito particularmente, devido à riqueza posteriormenmte gerada pelo turismo.   Fazendo questão de não ter sido ele, mas a mulher Rene, que, em termos turísticos, descobriu o Algarve, foi devido ao amigo, Vic Cowing, que cansado do intenso labor na peixaria que tinha em Essex, lhe disse, no jantar de despedida, na véspera do Natal de 1960, que ia emigrar. "Quando ouvi isto pensei que ele ia mencionar a Austrália ou o Canadá, os destinos mais preferidos na altura. Mas quando ele disse o Algarve, nome que nunca tinha ouvido falar, fê-lo com um entusiasmo invulgar", como recordou Harry Chandler ao autor. "É um lugar fantástico, Harry." Estava lançado o bicho. Foi numa das visitas da mulher, Rene, aos amigos que se radicaram no Algarve, que ela não só comprou uma vivenda com terreno, mas influenciou o marido a fazer do Algarve o lugar ao sol dos turistas ingleses, o que teve início em 1965, depois da construção do aeroporto de Faro, com a chegada dos primeiros 50 turistas num avião BAC 1-11.  "

in: http://jn.sapo.pt/blogs/gilfer/archive/2008/10/30/o-quot-pai-quot-do-algarve-harry-chandler-i-de-ii.aspx